domingo, 8 de agosto de 2010

Cinema - A origem

Eu tenho de fazer uma confissão....... pra mim o melhor filme que já foi feito... e que é parâmetro de comparação para os demais é O Senhor dos Anéis (os três filmes que na verdade são uma estória completa!) Meu único filme nota 10!!!! Já vi os três várias vezes, e cada vez que os assisto novamente, encontro algo de novo, um novo aspecto!  Aliás esses dias estava pensando sobre o Frodo, que no final da jornada, chegando na montanha da perdição, diz pro Sam que não consegue se lembrar de coisas boas, do gosto de morango, do Condado, que se sente como sozinho na escuridão...... e enquanto isso está sendo travada uma batalha nos portões negros..... 
Estava tentando entender as alegorias do autor JRR Tolkien, que era um inglês católico fervoroso, e que utilizou sua obra pra difundir valores cristãos, sem ser óbvio como o CS Lewis.... Então voltando ao Frodo e a batalha..... pensei que talvez a mensagem que o Tolkien tentou inserir era a seguinte: que mesmo quando você se sente sozinho, exausto, deprimido, e incapaz, ainda assim, mesmo que você não saiba e não possa perceber, O Rei está lutando por você, e acreditando em você....... achei a alegoria tão bonita!!!! 
E por outro lado sobre o significado daquela batalha: porque todas aquelas pessoas se prontificaram a morrer numa luta sem esperança? Porque se deve resistir ao mal, mesmo sem garantia de sucesso, para que a escuridão, o pecado e a morte não prevaleçam, deve-se ter fé e confiar na graça do Senhor.
E é pela profundidade desse material que eu amo esse filme!

 
Esta é a minha explicação porque a nota máxima que eu dou neste blog é 9. E vejam que pra receber nota 9 o filme tem que ser muito bom!

Então, aqui vai um nota 9!!! A prova de que existe vida inteligente em Hollywood: Incepction - que no Brasil foi lançado como "A Origem"

É um filme do diretor Christopher Nolan, o mesmo diretor dos ótimos "O grande Truque" e os atuais "Batman", e o elenco também é muito bom, começando pelo Leonardo Dicaprio, o Ken Watanabe (acho maravilhoso), a Marion Cotillard (que ganhou o Oscar por interpretar Edit Piaf).

Conta-se a estória do personagem do Dicaprio, cuja profissão é entrar na mente das pessoas através de sonho induzido, e roubar seus segredos... algo parecido com espionagem industrial.... Sua missão desta vez, não é roubar um segredo, mas ele é contratado para inserir uma idéia na mente dum herdeiro de um grande conglomerado de empresas. Não se sabe se isso pode ser feito de maneira a que a idéia plantada pareça ser do referido herdeiro.... daí a necessidade de se conseguir uma equipe capaz de realizar não apenas a arquitetura do plano do sonho (onde a Elen Page - de Juno - é cooptada em uma universidade francesa), como o composto químico indutor do sonho, como os responsáveis pela segurança do grupo, e ainda se insere neste grupo o contratante da missão (Ken Watanabe) que quer ter certeza do cumprimento da avença.

Aliás, falando em Piaf, sua música "Je ne regrette rien" (não me arrependo de nada)  é que guia a linha narrativa de um filme que em  num primeiro olhar parece uma simples ficção científica, explorando idéias que já foram utilizadas em "Matrix" e "13o andar", sob a estrutura do sonho dentro do sonho. Mas na verdade, esse é somente o pano de fundo de uma estória que explora o psicológico e a busca por uma salvação sem redenção do protagonista que não é só o herói, mas principalmente é o vilão do filme, tal como somos todos os vilões de nossa própria existência. Isso se dá porque apesar de parecer que o personagem busca um objetivo nobre, que é ver novamente seus filhos, ele se utiliza de uma ética utilitarista para a consecução de seus fins, razão pela qual até mesmo seu retorno ao limbo para resgate do Ken Watanabe deve ser questionada, já que este último era o único que poderia lhe restituir o status liberdade. Apesar de o final não parecer muito claro, a resposta à dúvida lançada na última cena certamente será encontrada no decorrer do filme.

Adorei os efeitos, adorei a música, os personagens são complexos, adorei a ação, admito que fiquei sem entender tudo (vou assistir de novo!!!)........tem uma luta de um dos personagens da equipe do Dicaprio, que acontece em ambiente de gravidade zero que é mara!!!!! Mas o legal mesmo são os subtextos... tal como em "o grande truque", o autor/roteirista/diretor dialoga com a platéia sobre a própria função do cinema e mesmo dos meios de comunicação (neste sentido que eu não suporto a maioria das novelas que são feitas por aqui): plantar uma idéia..... uma idéia que uma vez plantada na mente do observador, cresce e toma forma nova, e que pode ser tão poderosa de maneira a alterar a própria essência do indivíduo... e no caso da missão do protagonista do filme: a implantação de uma idéia cuja autoria seja entendida como própria, essência da própria individualidade! 

Dá o que pensar!

 
Nota: 9

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