Estava tentando entender as alegorias do autor JRR Tolkien, que era um inglês católico fervoroso, e que utilizou sua obra pra difundir valores cristãos, sem ser óbvio como o CS Lewis.... Então voltando ao Frodo e a batalha..... pensei que talvez a mensagem que o Tolkien tentou inserir era a seguinte: que mesmo quando você se sente sozinho, exausto, deprimido, e incapaz, ainda assim, mesmo que você não saiba e não possa perceber, O Rei está lutando por você, e acreditando em você....... achei a alegoria tão bonita!!!!
E por outro lado sobre o significado daquela batalha: porque todas aquelas pessoas se prontificaram a morrer numa luta sem esperança? Porque se deve resistir ao mal, mesmo sem garantia de sucesso, para que a escuridão, o pecado e a morte não prevaleçam, deve-se ter fé e confiar na graça do Senhor.
E é pela profundidade desse material que eu amo esse filme!
Esta é a minha explicação porque a nota máxima que eu dou neste blog é 9. E vejam que pra receber nota 9 o filme tem que ser muito bom!
Então, aqui vai um nota 9!!! A prova de que existe vida inteligente em Hollywood: Incepction - que no Brasil foi lançado como "A Origem"
É um filme do diretor Christopher Nolan, o mesmo diretor dos ótimos "O grande Truque" e os atuais "Batman", e o elenco também é muito bom, começando pelo Leonardo Dicaprio, o Ken Watanabe (acho maravilhoso), a Marion Cotillard (que ganhou o Oscar por interpretar Edit Piaf).
Conta-se a estória do personagem do Dicaprio, cuja profissão é entrar na mente das pessoas através de sonho induzido, e roubar seus segredos... algo parecido com espionagem industrial.... Sua missão desta vez, não é roubar um segredo, mas ele é contratado para inserir uma idéia na mente dum herdeiro de um grande conglomerado de empresas. Não se sabe se isso pode ser feito de maneira a que a idéia plantada pareça ser do referido herdeiro.... daí a necessidade de se conseguir uma equipe capaz de realizar não apenas a arquitetura do plano do sonho (onde a Elen Page - de Juno - é cooptada em uma universidade francesa), como o composto químico indutor do sonho, como os responsáveis pela segurança do grupo, e ainda se insere neste grupo o contratante da missão (Ken Watanabe) que quer ter certeza do cumprimento da avença.
Aliás, falando em Piaf, sua música "Je ne regrette rien" (não me arrependo de nada) é que guia a linha narrativa de um filme que em num primeiro olhar parece uma simples ficção científica, explorando idéias que já foram utilizadas em "Matrix" e "13o andar", sob a estrutura do sonho dentro do sonho. Mas na verdade, esse é somente o pano de fundo de uma estória que explora o psicológico e a busca por uma salvação sem redenção do protagonista que não é só o herói, mas principalmente é o vilão do filme, tal como somos todos os vilões de nossa própria existência. Isso se dá porque apesar de parecer que o personagem busca um objetivo nobre, que é ver novamente seus filhos, ele se utiliza de uma ética utilitarista para a consecução de seus fins, razão pela qual até mesmo seu retorno ao limbo para resgate do Ken Watanabe deve ser questionada, já que este último era o único que poderia lhe restituir o status liberdade. Apesar de o final não parecer muito claro, a resposta à dúvida lançada na última cena certamente será encontrada no decorrer do filme.
Adorei os efeitos, adorei a música, os personagens são complexos, adorei a ação, admito que fiquei sem entender tudo (vou assistir de novo!!!)........tem uma luta de um dos personagens da equipe do Dicaprio, que acontece em ambiente de gravidade zero que é mara!!!!! Mas o legal mesmo são os subtextos... tal como em "o grande truque", o autor/roteirista/diretor dialoga com a platéia sobre a própria função do cinema e mesmo dos meios de comunicação (neste sentido que eu não suporto a maioria das novelas que são feitas por aqui): plantar uma idéia..... uma idéia que uma vez plantada na mente do observador, cresce e toma forma nova, e que pode ser tão poderosa de maneira a alterar a própria essência do indivíduo... e no caso da missão do protagonista do filme: a implantação de uma idéia cuja autoria seja entendida como própria, essência da própria individualidade!
Dá o que pensar!

Nota: 9
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