sábado, 2 de abril de 2011

Do Monte Alverne

Estava lendo sobre São Francisco em "Il Fioretti" e achei este trecho muito interessante:

"Daí a poucos dias, estando São Francisco ao lado da referida cela, considerando a disposição do monte e admirado das grandes rachaduras e aberturas de enormes rochas, pôs-se em oração. Foi-lhe então revelado por Deus que aquelas rachaduras tão maravilhosas tinham sido feitas milagrosamente na hora da paixão de Cristo, quando, conforme diz o Evangelista, as pedras se racharam. E foi Deus quem quis que isso aparecesse especialmente no monte Alverne, porque lá deveria renovar-se a paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, na sua alma por amor e compaixão, e no seu corpo pela impressão pela impressão dos sagrados santos estigmas.
Quando São Francisco teve essa revelação, fechou-se imediatamente na cela e se dispôs a pensar no mistério dessa revelação. E, desde então, São Francisco, pela contínua oração, começou a provar mais freqüentemente a doçura da divina contemplação, pela qual ele muitas vezes ficava tão arrebatado em Deus que os companheiros o viam elevado da terra e fora de si.
(...)
Daquela hora em diante, o dito Frei Leão. Com grande pureza e boa intenção, começou a perscrutar e considerar solicitamente a vida de São Francisco. Por sua pureza ele mereceu ver muitas e muitas vezes São Francisco arrebatado em Deus e suspenso da terra, uma vez a três braças de altura, outra quatro, uma vez até na altura de uma faia e uma vez viu-o elevado tão alto no ar e cercado de tanto esplendor que mal podia enxerga-lo.
E que fazia este simples frade quando São Francisco estava tão pouco elevado da terra que ele podia alcança-lo? Ia piedosamente, abraçava-lhe os pés, beijava-os e dizia entre lágrimas: Meu Deus, tende misericórdia de mim pecador e, pelos méritos deste santo homem, fazei-me encontrar a vossa graça”. E, uma vez entre outras, estando ele assim abaixo dos pés de São Francisco quando ele estava tão elevado da terra que não podia toca-lo, viu uma cédula escrita com letras de ouro descendo do céu e colocando-se sobre a cabeça de São Francisco. Na cédula, estavam escritas estas palavras: Aqui está a graça de Deus. Depois que a leu, ele viu que ela voltava para o céu.
Pelo dom dessa graça de Deus que estava nele, São Francisco não só era arrebatado em Deus pela contemplação estática, mas algumas vezes era até confortado pela visita dos Anjos."

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